TDAH

TPA Infantil e TDAH: Estamos Diagnosticando Errado?

Criança em ambiente escolar com dificuldade de atenção - TPA e TDAH infantil

Seu filho não presta atenção e parece não ouvir quando chamado? Antes de assumir um diagnóstico, entenda por que TPA e TDAH são frequentemente confundidos e como isso afeta o tratamento.

Leitura complementar 7 min

TPA Infantil e TDAH: Estamos Diagnosticando Errado?

Você já ouviu que seu filho não presta atenção, que parece não escutar quando chamado, que se perde em ambientes barulhentos ou não consegue acompanhar instruções em sala de aula. Talvez tenha recebido a sugestão de investigar um possível Transtorno do Processamento Auditivo. Mas e se o problema não estiver exatamente onde você imagina? Um estudo publicado em 2026 na revista Frontiers in Human Neuroscience revela que o TPA infantil pode estar sendo diagnosticado de forma equivocada em muitas crianças, especialmente naquelas que apresentam características de TDAH. Entender essa sobreposição pode mudar completamente o rumo de uma avaliação e, consequentemente, o tratamento oferecido.

O que a pesquisa realmente descobriu

O artigo de dos Santos, Arruda e Masruha revisou criticamente estudos publicados entre 2010 e 2025, investigando a validade diagnóstica do TPA, a confiabilidade dos testes utilizados e a sobreposição com outras condições do neurodesenvolvimento. O achado mais impactante foi a variação absurda na prevalência do TPA, que oscila entre 7% e 93% dependendo dos critérios adotados. Na prática, isso significa que a mesma criança pode receber diagnósticos completamente diferentes dependendo do profissional ou protocolo utilizado.

Essa inconsistência acontece porque muitos testes usados para diagnosticar TPA foram desenvolvidos originalmente para adultos com lesões cerebrais e posteriormente adaptados para crianças sem validação adequada. Esses instrumentos exigem atenção sustentada, memória de trabalho, linguagem receptiva e funções executivas. Uma criança com TDAH pode falhar nesses testes não por ter um problema auditivo específico, mas porque as demandas cognitivas do teste excedem sua capacidade atencional.

A sobreposição entre TPA e TDAH que poucos consideram

Um dos pontos mais relevantes do estudo é a documentação da sobreposição significativa entre TPA e condições como TDAH, dislexia, transtorno do desenvolvimento da linguagem e alterações de memória operacional. Na clínica, isso se traduz em crianças que recebem o rótulo de TPA quando, na verdade, apresentam dificuldades atencionais ou linguísticas mais amplas.

Os autores propõem uma mudança de perspectiva que parece simples mas transforma a abordagem clínica. Em vez de perguntar se a criança tem TPA, a pergunta passa a ser como essa criança funciona no mundo real. O conceito de dificuldades de escuta considera o desempenho escolar, a compreensão em ambientes ruidosos, o impacto funcional no cotidiano e as observações de pais e professores. Essa visão funcional é muito mais útil do que depender exclusivamente de resultados laboratoriais.

TPA ou ansiedade: quando os sintomas se confundem

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a semelhança entre manifestações de TPA e quadros de ansiedade infantil. Crianças ansiosas podem apresentar dificuldade para processar instruções verbais, parecer desatentas em situações sociais ou escolares e demonstrar desconforto em ambientes com muito estímulo sonoro. A hipervigilância característica da ansiedade pode comprometer a capacidade de filtrar informações relevantes, gerando um padrão de comportamento que mimetiza dificuldades de processamento auditivo.

Distinguir essas condições exige uma avaliação que vá além dos testes padronizados e considere o contexto emocional, os padrões de comportamento em diferentes ambientes e a história de desenvolvimento da criança. Um diagnóstico precipitado pode direcionar intervenções para o alvo errado, prolongando o sofrimento e atrasando o tratamento adequado.

Quando vale investigar com mais cuidado

Alguns sinais merecem atenção especial e justificam uma investigação mais aprofundada. Crianças que consistentemente pedem para repetir informações, que apresentam desempenho escolar incompatível com sua capacidade intelectual aparente, que demonstram dificuldade desproporcional em ambientes ruidosos ou que parecem não ouvir mesmo quando a audição periférica está normal podem se beneficiar de uma avaliação interdisciplinar.

O modelo proposto pelos autores do estudo considera que escutar bem depende de fatores auditivos como processamento temporal e percepção de fala no ruído, mas também de fatores cognitivos como atenção, memória de trabalho e funções executivas. Muitas vezes, o problema não está no ouvido, mas na forma como o cérebro organiza, seleciona e interpreta os sons. Para adultos que reconhecem esse padrão em sua própria história ou que suspeitam de TDAH, o rastreio clínico estruturado do ERS-TDAH oferece uma forma organizada de investigar essas questões antes de procurar especialistas.

O que isso significa para quem busca respostas

O trabalho de dos Santos e colaboradores traz uma mensagem clara para famílias e profissionais. Quando falamos de TPA infantil, frequentemente estamos falando também de atenção, linguagem, memória e neurodesenvolvimento. Diagnosticar melhor significa tratar melhor, e tratar melhor significa mudar trajetórias escolares, emocionais e sociais.

O diagnóstico deve ser interdisciplinar. Audiologistas, fonoaudiólogos, neuropediatras, psicólogos e educadores precisam trabalhar juntos para entender onde está a dificuldade, qual intervenção realmente ajuda e quais adaptações são necessárias. Isso evita medicalização desnecessária e melhora a vida real da criança.

Se você é um adulto que reconhece esse padrão em sua própria infância ou que enfrenta dificuldades semelhantes até hoje, pode ser o momento de investigar com mais profundidade. O ERS-TDAH oferece um rastreio clínico estruturado que vai além de questionários simples, incluindo entrevista clínica, informantes externos e sessão com especialista. Conhecer melhor seu funcionamento é o primeiro passo para decisões mais informadas sobre sua saúde. Acesse sintomastdah.com.br e inicie sua avaliação.