O TDAH e a regulação do humor
O papel da oscilação de humor e sua regulação no TDAH
MODULADORES DO TDAH
Neuropsicólogo Mauricio Maluf Barella CRP 06178046
12/15/20255 min ler


Um Olhar Clínico sobre Emoções, Cognição e Comorbidades
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é tradicionalmente caracterizado por sintomas centrais de desatenção, hiperatividade e impulsividade. No entanto, um crescente corpo de pesquisas tem destacado que os desafios enfrentados por indivíduos com TDAH vão além do domínio puramente atencional. Um dos aspectos mais críticos — e muitas vezes negligenciados — envolve as dificuldades de regulação emocional e as frequentes oscilações de humor, que podem impactar significativamente o funcionamento cotidiano, as relações interpessoais e o desempenho acadêmico ou profissional.
A regulação emocional refere-se à capacidade de monitorar, avaliar e modificar estados emocionais de forma adaptativa. No contexto do TDAH, observa-se que muitos pacientes apresentam irritabilidade frequente, frustração desproporcional e uma sensibilidade emocional exacerbada. Essas manifestações, embora não sejam critérios diagnósticos formais segundo o DSM-5-TR, são frequentemente relatadas por familiares e educadores, e têm forte impacto no sofrimento subjetivo e funcional do indivíduo.
TDAH e Oscilações de Humor
As oscilações de humor em indivíduos com TDAH tendem a ocorrer de forma reativa a estímulos ambientais, com pouca capacidade de modulação interna. Essa instabilidade emocional é caracterizada por mudanças abruptas e intensas nos estados afetivos, que não são explicadas apenas pelos eventos externos. Crianças e adultos com TDAH podem passar rapidamente de um estado de entusiasmo para irritação ou tristeza, com grande dificuldade de retorno à linha de base emocional após uma frustração ou crítica.
Esse padrão, embora não configure necessariamente um transtorno do humor, frequentemente mimetiza quadros como o Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH) ou mesmo episódios hipomaníacos, o que torna o processo diagnóstico complexo. Nesse sentido, a avaliação da regulação emocional é um componente essencial para diferenciar TDAH de outros transtornos afetivos e para o rastreio de comorbidades.
A Neurobiologia Compartilhada
Do ponto de vista neurobiológico, tanto o TDAH quanto os transtornos do humor compartilham alterações funcionais em circuitos pré-frontais e límbicos, notadamente no córtex pré-frontal dorsolateral, córtex cingulado anterior e amígdala. A disfunção desses sistemas pode levar a déficits na inibição de respostas emocionais impulsivas e na capacidade de manter estados afetivos estáveis ao longo do tempo.
Além disso, estudos de neuroimagem funcional revelam que indivíduos com TDAH apresentam hipoativação em regiões associadas à regulação emocional e ao controle inibitório, sugerindo que os mesmos circuitos que falham na inibição de respostas motoras impulsivas também são responsáveis pela dificuldade de modular emoções intensas.
Implicações Clínicas: Avaliação e Diagnóstico Diferencial
Na prática clínica, a presença de irritabilidade persistente e instabilidade de humor deve levar o profissional a uma análise cuidadosa, considerando possibilidades como:
TDAH com comorbidade afetiva: Ansiedade generalizada, depressão maior e transtornos disruptivos são altamente prevalentes em indivíduos com TDAH, especialmente na infância e adolescência.
Diagnóstico diferencial com transtornos do humor: O Transtorno Bipolar, por exemplo, pode ser confundido com TDAH, especialmente nos seus episódios iniciais. No entanto, no transtorno bipolar, os episódios de humor são mais episódicos, com mudanças duradouras e qualitativamente distintas no comportamento, o que não se observa de forma tão clara no TDAH.
Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor (TDDH): Esta entidade diagnóstica, introduzida no DSM-5, descreve crianças com irritabilidade crônica e explosões de raiva severas e recorrentes. Embora possa coexistir com TDAH, deve ser avaliada como condição distinta.
Portanto, o mapeamento do funcionamento emocional deve estar presente na avaliação neuropsicológica do TDAH, seja por meio de entrevistas clínicas, escalas de comportamento (como CBCL ou BASC), testes projetivos ou instrumentos de autorrelato quando apropriado.
Emoções e Desempenho Cognitivo
A disfunção na regulação emocional interfere diretamente no desempenho cognitivo, especialmente em funções executivas, como planejamento, memória operacional, flexibilidade cognitiva e inibição. Por exemplo, altos níveis de frustração podem comprometer a atenção sustentada, levando a erros em tarefas simples e queda no rendimento escolar.
Além disso, a impulsividade emocional pode gerar respostas precipitadas, prejudicando o julgamento e a tomada de decisões, elementos centrais em contextos acadêmicos e sociais. Crianças com TDAH frequentemente são rotuladas como “desobedientes” ou “preguiçosas”, quando, na verdade, enfrentam uma luta constante com sua autorregulação emocional e comportamental.
Rastreio de Sintomas Afetivos no TDAH
É importante salientar que o rastreio de sintomas afetivos, por meio de instrumentos padronizados ou pela observação clínica, não configura diagnóstico, mas sim uma sinalização de risco. Avaliações que indicam desregulação do humor devem orientar o profissional para uma investigação mais aprofundada, com foco em diagnóstico diferencial e planejamento de intervenções terapêuticas integradas.
Por exemplo, crianças que apresentam irritabilidade acentuada e dificuldades persistentes de relacionamento interpessoal podem se beneficiar de intervenções que combinem abordagens comportamentais com psicoeducação emocional e terapia cognitivo-comportamental. Já nos casos em que há suspeita de comorbidade afetiva, é fundamental o encaminhamento para avaliação psiquiátrica e eventual intervenção medicamentosa.
Abordagens Terapêuticas e Intervenções
A intervenção em casos de TDAH com desregulação emocional deve ser multifacetada. A combinação de estratégias psicoeducacionais, suporte psicoterapêutico, treinamento parental e, em alguns casos, o uso de medicação, tem se mostrado eficaz.
Terapias baseadas em mindfulness, por exemplo, têm ganhado destaque por sua capacidade de melhorar a consciência emocional, a atenção plena e o controle impulsivo, aspectos diretamente comprometidos no TDAH【5OHlFRUpxVnxQPJqvXHgzoW7†source】. Treinamentos em habilidades sociais também são indicados para crianças e adolescentes com dificuldades de modulação emocional e comportamento opositor.
O uso de medicações psicoestimulantes, como o metilfenidato, pode ajudar não apenas na concentração e impulsividade, mas também na estabilização emocional em alguns casos, embora essa não seja sua indicação primária. É fundamental que a prescrição seja feita por médico psiquiatra e acompanhada de monitoramento contínuo.
Conclusão
A relação entre TDAH e regulação do humor é complexa e multifatorial, exigindo um olhar clínico atento e sensível às nuances emocionais do paciente. Compreender a interseção entre os domínios afetivos e cognitivos permite uma avaliação mais acurada, um diagnóstico diferencial mais preciso e intervenções mais eficazes.
Reconhecer os sinais de desregulação emocional no TDAH não apenas melhora a qualidade do atendimento, mas também contribui para uma vida mais funcional e equilibrada para o indivíduo. Vale reforçar que, apesar de avanços significativos na área, a formulação diagnóstica e terapêutica definitiva deve sempre ser realizada por profissionais de saúde mental qualificados.
Oscilações de humor no TDAH frequentemente coexistem com dificuldades de regulação emocional, alterações no sono e impacto da saúde física sobre o funcionamento cognitivo. Esses fatores modulam diretamente a atenção e a capacidade de autorregulação, reforçando a importância de uma análise integrada dos sintomas.
Referências
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[Tradução automática - documento fornecido]
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